quinta-feira, abril 26, 2007




Quando encontramos motivo para contestar a ordem por vezes esquecemo-nos que só a luta pode resolver o problema. Vale para tudo. Contra o pai e a mãe, o(a) companheiro(a) de relação, ou contra um sistema politico. A liberdade conquista-se!
Merecem respeito aqueles que arriscaram para hoje vivermos em liberdade. Porque em 74 alguém sonhou que um dia iriamos às urnas manifestar a nossa opinião. Fazê-lo na rua, nos blogs, ou em qualquer parte.
Há um alguém. Há um exemplo. Há um Álvaro Cunhal. Há um descendente de uma familia burguesa que não deixou de se dedicar a uma causa. Teimosamente. Em Prejuízo pessoal. Toda uma vida demarcada pelo ideal.
Torturado. Preso. Insultado. Agredido. Não retiraria dividendos pessoais nunca. Ele sabia-o. Fê-lo com aquele espirito missionário dos grandes Homens da Humanidade.

Este cravo é para ele! Obrigado.

segunda-feira, abril 23, 2007

A minha escolha é...


Neste dia Mundial do Livro, as ondas do mar ondulam pelo areal, perfumam este brilhante conto. O melhor de todos. A sensação de liberdade celestial. Um olhar sobre a imensidão do Universo em contraposição com a dimensão vazia do Homem. Este é um legado para todas as épocas ou lugares. Preenche um espaço inigualável na literatura mundial. Palomar é melhor que Ciociara ou il gatopardo. Calvino é melhor que Umberto Eco ou Pirandello. E mais. A obra transcente o artista. Ninguém precisa de subir às árvores feito barão ou imitar as viagens de Marco Polo pelas cidades. Este é um Calvino sem pretensões. É quanto basta...

É dificil relatar a essência que Kim Ki-Duk transmite. Simplesmente brilhante. Não vi os restantes dele: "Primavera, Verão, Outono, Inverno...Primavera" ou "O Bordel do lago" mas também não preciso!
Ferro 3 ou Bin Jip, como lhe queiramos chamar - é um filme do sonho. Sem diálogos. As personagens principais não falam. Movem-se. Não têm nomes próprios. Escondem-se atrás dos 180º graus até onde o olho humano consegue ver. Porquê? pelo amor.
O cinema visto ao milimetro. Na Europa já tivémos experiências idênticas com as realizações de Gus Van Sant, mas nada como isto.
O derradeiro grande filme de amor, caústico e imprevisível.
Tae-suk vagueia na sua mota em busca de casas vazias onde possa ficar, e não obstante o sentido 'penetra', o amor possibilita que Sun-hwa se sinta no seu lar. E nunca roubam. O conserto do material avariado no interior dos apartamentos é a compensação encontrada para a intromissão.
Como se não bastasse, esta obra prima termina (infelizmente): "It‘s hard to say that the world we live in is either a reatily or a dream". É transcendente. Porque o bem vence o mal. Sempre...

terça-feira, abril 10, 2007

Persistência da memória


Pintado em 1931, este quadro pequeno (24x35 cm) deixou um rasto de embriaguez latente devido à imensidão da paisagem. Esta síntese é suportada por dois pólos que permitem reflexões filosóficas profundas - a relação directa entre memória flácida e tempo despendurado - onde nem sequer a aurora foi deixada ao acaso. Não se distingue noite e dia. O sol nasce ou põe-se. Nós não sabemos!
Apesar de não ser óbvio, o génio de Dali está ali, é personalizado sob a batuta do desenho - atente-se no bigode desconexo - na cabeça adormecida pelo desejo de que Gala chegue do cinema e veja aquele quadro que demorou 120 minutos a conceber.

O surreal também vale mil palavras, não é só qualquer imagem, é o retrato do inconsciente paranóico, como se dissesse: "tempo para dizer ao tempo que não é tempo que o tempo tem". É aquele magistral uso de cores, onde se captam pequenos pormenores na interpretação livre de associações delirantes. Exemplo: está ali uma tábua azul onde alguém pode saltar para cima do fundo azul dos relógios.
E curiosamente, seria para sempre esta a imagem de marca do artista. A imagem é pessoal. E isso basta.

(à Filipa)

segunda-feira, abril 02, 2007

Porque os números também se apaixonam...