terça-feira, outubro 02, 2007

Há quem acredite no belo. O cinema que era o centro do mundo, aquele onde passavam muitas coisas na tela e estórias vertiginosas e pessoas que mudavam muitas vezes de vida e de cabelo e falavam diferente e com outros nomes. O cinema oferecia fantasia e evasão aos habitantes da pequena vila, fazendo esquecer a dura realidade da fome e da pobreza. O maravilhoso tributo ao cinema que marcou uma geração. Não vale a pena negar esta vertente.
Este é o ano que marcou a geração musical. Ennio Morricone foi a escolha acertada, trouxe a necessária magia aos momentos de amor com Elena.
Neste contexto, surge esta notável obra prima com o intuito de retratar o amor nas suas diversas frentes: o amor de mãe versus mulher, amor de adolescente, o amor sob forma de amizade, e o amor pelo cinema. É também devido a esses “duros” amores que se fazem escolhas, sacrifícios, sofrem-se consequências e muitas vezes obrigam-nos a fugir dessas realidades para criarmos em nosso torno uma redoma de vidro aparentemente intocável.
E esta não é só uma abordagem ao problema de amor, é também um acto de coragem. Atente-se na noite em que Salvatore recebeu a triste noticia, percebeu que não podia fugir do passado, pois querendo ou não, ele existia, e por isso mesmo tinha que o enfrentar.
O cinema tem o condão de nos transportar para estas realidades, e quando assim é, torna-se intemporal. E adorar «Cinema Paraíso» é adorar a intemporalidade. Nem vale a pena tentar reconstruir o argumento, o belo não tem explicação, mas tem outra coisa: a capacidade de nos apaixonar cada vez que nos aproximamos. E essa é a experiência de «Cinema Paraíso». Ver, rever, e admirar cada vez mais. E digo "admirar" porque é este o nexo de causalidade para a paixão. Cinema e paixão, juntos, de mãos dadas.

2 Comments:

Blogger Jorge Soares Aka Shinobi said...

Nem mais, nem mais...por voltas e voltas que dê à cabeça, não consigo encontrar um filme que ilustre o amor à sétima arte traduzido por "Cinema Paraíso". É daqueles que fica cicatrizado para sempre!

10:25 da tarde  
Blogger Luís A. said...

e aquela montagem feita pelo velho alfredo, com a musica de morricone é pura e simplesmente transcendental...um filme de amor ao cinema

1:08 da tarde  

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